Era só uma tarde comum de primavera, o rei Dinyon recebia representante das casas como sempre fazia, ouvindo suas bajulações e pedidos indecentes, quando um cavaleiro ensanguentado abriu subitamente a porta do salão principal. Após os segundos de caos que se instauraram, tudo que o homem conseguiu dizer antes de sucumbir foi:
- "A profecia...O regimento, vermelho... O céu está... Demônios..."
O rei se levantou abruptamente do trono e andou em direção ao cavaleiro morto, ao analisar suas feridas deve certeza de que nada humano poderia ter feito aquilo, ao questionar quem era o homem, soube que ele fazia parte de um regimento de cavaleiros responsável pela segurança das estradas ao redor de Galon.
No meio das palavras confusas e tremulas do soldado, uma delas não poderia ser ignorada, "profecia", embora até então não passasse de uma lenda Dinyon sempre fora supersticioso, ao olhar para os céus eles estavam vermelhos como sangue com espessas nuvens negras espalhadas ao longo da abóboda, o rei declarou imediatamente estado de emergência na cidade. E não tardou nem mesmo um quarto de volta do sol para que a horda de demônios chegasse as muralhas exteriores de Galon (na época a cidade era limitada pela muralha externa, embora povoados tímidos começassem a se estabelecer do lado de fora).
Era desesperador, todo o povoado localizado fora das muralhas fora imediatamente consumido por fogo e sangue, enquanto as criaturas que pareciam uma mistura de humanoides e animais em carne viva se amontoavam nas muralhas, exaurindo fogo de suas ventas. De imediato o rei convocou o alto clero para as capelas, a fim de invocar a ajuda dos deuses, mas todas as preces foram em vão, visto que nenhum deus veio para ajudar, ou auxiliar de qualquer forma. Vendo que os deuses não seriam a solução do problema, Dinyon convocou sua guarda pessoal e partiu para a vanguarda.
Foi uma batalha longa e exaustiva para os humanos, todos os militares e homens dispostos a lutar foram convocados para as muralhas para defender seu reino e família. Haviam ainda no meio dos demônios diversas criaturas monstruosas, com poder para derrubar portões, e talvez até mesmo parte da muralha e na retaguarda sobre um altar móvel um comandante em uma armadura negra, que todos juram ser o próprio Genoroth, contudo existiam também do lado dos homens campeões e magos poderosos. O cerco durou 15 dias sem sucesso por parte dos atacantes, embora tenha havido saques e massacres a vilarejos isolados fora das muralhas, durante todo o tempo os céus permaneceram vermelhos.
Por fim, no décimo sexto dia, a legião parecia finalmente ter desistido da investida, retirando suas forças das muralhas de Galon, contudo, os céus continuavam vermelhos...
A legião vermelha estava sitiado nos sopés das montanhas de Amriwieath há cerca de 3 semanas, aparentemente percebendo a vantagem que muralhas dão aos defensores, Genoroth decidiu tomar pra si a maior fortaleza de ferraria, as próprias montanhas dos anões. Sabendo que os anões não possuíam o mesmo poder bélico e experiência em combate do rei humano, a tomada das montanhas lhe garantiria vantagem para compor seu exército, e defendê-los por quanto tempo precisassem.
Embora não tenham inicialmente obtido sucesso em tomar as montanhas, o reino anão não possuía as mesmas balistas e bestas que os humanos, e embora combatentes poderosos em terra, os anões não tinham nenhum poder nos ares, o rei anão à época, Brenin Açoforte, sabia que era só uma questão de tempo antes que ameaças voadoras começassem a atacar as montanhas. Seus paredões e abismos ofereciam uma defesa quase impenetrável por terra, contudo um ataque aéreo não muito poderoso era capaz de por abaixo centenas ou milhares de anões à época e segundo os batedores, Genoroth já havia percebido também a fraqueza das montanhas, e começara a convocar a corja de criaturas aladas em seus assaltos.
Embora não fossem proficientes com armas de longo alcance, os anões contaram com alguns aliados inesperados para suas defesa, Mrazot e Požar, dragões da linhagem Liderot'na que viviam nas montanhas naquela época. Os poderosos dragões, juntamente com os dragonetes que os acompanhavam tornaram os céus de Amrywieath um festival de gelo e fogo, enquanto diabretes choviam tostados por Požar e congelados por Mrazot dos céus. Até hoje não se sabe exatamente porque os dragões ajudaram no combate, se por territorialismo, se for afeto aos anões ou por puro acaso, mas por mais poderosos que fossem os dragões, a horda de criaturas aladas invocadas por Genoroth não cessava.
Desesperado e acuado, sentindo que era só uma questão de tempo antes que mesmo os dragões cedessem a legião, ou decidissem que não queriam mais participar daquilo, Açoforte decidiu escrever para Dynion, sabendo que Genoroth era também uma poderosa ameaça ao reino dos homens o regente anão ofereceu a oportunidade perfeita ao rei dos homens, que após duas semanas de marcha conseguiu flanquear o exausto exército de Genoroth, derrotanto-o e pondo fim ao primeiro ciclo da guerra. Durante o assalto, não se teve mais notícias do comandante de armadura negra, que dizem ter desaparecido engolido pela própria terra.
Após o combate, os dragões sobreviventes voaram carregando seus aliados mortos para o horizonte, e não se tem nenhuma notícia concreta de seus paradeiros, e embora nada além de aparições duvidosas e desaparecimentos suspeitos de anões e gados sejam relatadas, os anões ainda hoje promovem um ritual que chamam de "Arydee Liderot'na", onde sobem até a topo da montanha Allor, e deixam lá oferendas como vacas e ovelhas, em honra a linhagem Liderot'na. Se os dragões recebem ou não a oferenda nunca foi confirmado, mas os anões semestralmente oferecem seus sacrifícios, que sempre são, aparentemente, aceitos...